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Método Canguru ajuda bebês prematuros a se desenvolverem 20 anos depois

(Foto: Reprodução)
Com o apoio do Governo do Canadá, estudo foi publicado na revista Pediatrics

Duas décadas depois de um grupo de pais colombianos mostrarem como manter seus bebês prematuros aquecidos e nutridos através da amamentação e do contínuo contato pele a pele, um novo estudo descobre que, esses bebês, agora adultos jovens, continuam a se beneficiar do fato de terem sido submetidos à técnica conhecida como Método Canguru.

Na idade adulta jovem, eles são menos propensos ao comportamento agressivo, impulsivo e hiperativo em comparação ao grupo controle de contemporâneos de peso prematuro e baixo peso que receberam cuidados tradicionais para pacientes internados na incubadora. Eles são mais propensos a ter sobrevivido aos 20 anos.

Com o apoio do Governo do Canadá, através do programa Saving Brains do Grand Challenges Canada, bem como do Departamento Administrativo de Ciência, Tecnologia e Inovação da Colômbia (COLCIENCIAS), o estudo foi publicado na revista Pediatrics.

“O estudo indica que o Método Canguru tem efeitos protetores sociais e comportamentais significativos e duradouros 20 anos após a intervenção”, afirma o pediatra e homeopata Moises Chencinski (CRM-SP 36.349).

O impacto inicial da técnica ainda estava presente 20 anos depois para aqueles que começaram a vida como indivíduos mais frágeis. As famílias treinadas no Método Canguru eram mais propensas a permanecerem juntas e a serem mais protetoras, ações que se refletiam em menos absenteísmo na escola secundária de seus filhos, na maior capacidade de expressar sentimentos, na redução da hiperatividade, da agressividade e da conduta anti-social quando adultos jovens.

“Um bebê prematuro nasce em algum lugar do mundo a cada dois segundos. Este estudo mostra que o Método Canguru dá aos bebês prematuros e de baixo peso ao nascer uma melhor chance de prosperar, fazendo com que sejam mais saudáveis ​​e se desenvolvam adequadamente”, diz Chencinski.

O que é o Método Canguru?

Cerca de 15 milhões de bebês prematuros nascem a cada ano, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. As complicações do parto prematuro são a principal causa de morte entre crianças com menos de 5 anos, responsáveis ​​por quase 1 milhão de óbitos em 2015. Além disso, muitos sobreviventes enfrentam uma vida inteira de deficiências, incluindo dificuldades de aprendizagem e problemas visuais e auditivos.

“Os bebês prematuros geralmente requerem cuidados extras para evitar doenças e morte por complicações secundárias, evitáveis, como hipotermia e infecção. Este é um problema particular nos países em desenvolvimento, onde as incubadoras e tecnologias similares são, muitas vezes, escassas, cheias demais ou pouco confiáveis, além de dispendiosas”, explica o pediatra.

Um pai ou cuidador treinado no Método Canguru se torna uma “incubadora de criança” e sua principal fonte de alimento e estímulo. A técnica envolve contato contínuo de pele a pele entre cuidador e criança, com o bebê aninhado em uma posição de “canguru” no peito do cuidador, o mais rápido possível após o nascimento. A técnica é acompanhada de aleitamento materno exclusivo.

“O Método Canguru também requer e prepara a mãe e a criança para irem para casa logo que possível, após os cuidados hospitalares, período no qual há monitoramento rigoroso do bebê e da mãe até que o bebê atinja um ano de idade corrigida. A solidariedade familiar em torno da criança frágil é um elemento-chave no sucesso do Método Canguru”, afirma o pediatra Moises Chencinski, criador e incentivador do movimento Eu Apoio Leite Materno.

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